Recent Forum Posts
Das categorias:

Fiquei pensando o que esse médico está chamando de melhora…
Há aqueles que pensam o delírio e a alucinação como inaceitáveis em uma vida "saudável" e buscam um ideal de normalidade, combatendo esses sintomas no sentido de remití-los.
Há atores que entendem que esses sintomas sao na verdade modos de existir e devem ser investidos para formar novas conexões com o mundo de forma a compor gerando mais vida e menos sofrimento…
Tenho pouca experiência com a psicose, mas acho que dá pra ir por esse caminho um pouco pra aprofundar a questão.

O que é melhora? por Aline GodoyAline Godoy, 15 Oct 2011 18:35

Em entrevista à revista Cult de julho de 2011, Gerardo de Araujo Filho (Médico, psiquiatra e diretor da AME-Psiquiatria) discorre, entre outras coisas, sobre a maneira como é feito o tratamento de pacientes psicóticos mais graves e diz o seguinte: "As drogas novas produzem muito menos efeitos colaterais. A top é a Clozapina - o problema dela é que em um 1% dos casos, zera os glóbulos brancos -, que é o penúltimo recurso. Se não melhora com ela, damos eletroconvulsoterapia. Juntamente com o medicamento, deve-se fazer terapia. É a melhor combinação. Porque você trata a questão biolágica e a questão individual." Pude entender que a Clozapina atua sobre algumas funções psicomotoras e podem ajudar a inibir alucinações e delírios. Talvez essa abordagem ajude no tratamento ao possibilitar o estabelecimento de comunicação com o paciente. Não sei os efeitos da eletroconvulsoterapia, mas acredito que deve agir no mesmo sentido. Gostaria de entender melhor, qual limite indica a "necessidade" desses tratamentos. Como se justifica a submissão de um paciente a eles se, segundo meu julgamento, ele não tem condições de se comunicar lucidamente, o que pressupõe que não pode decidir se me autoriza ou não a isso. Em um momento de crise, esse é o tipo de tratamento mais adequado (para o paciente) ou o mais prático e rápido? Como esse tipo de tratamento repercute no indivíduo no longo prazo?

Questão disparadora por Aline GodoyAline Godoy, 15 Oct 2011 18:33

Fiquei pensando o que esse médico está chamando de melhora…
Há aqueles que pensam o delírio e a alucinação como inaceitáveis em uma vida "saudável" e buscam um ideal de normalidade, combatendo esses sintomas no sentido de remití-los.
Há atores que entendem que esses sintomas sao na verdade modos de exixtir e devem ser investidos para formar novas conexões com o mundo de forma a compor gerando mais vida e menos sofrimento…
Teno pouca experiência com a psicose, mas achoque dá pra ir por esse caminho um pouco pra aprofundar a questão.

O que é melhora? por Aline GodoyAline Godoy, 15 Oct 2011 18:31
Adriana Müller (convidado) 25 Aug 2011 00:43
in discussion Álcool e outras drogas / Internações » Internação Compulsória para Usuários de Drogas

Wálter Fanganiello Maierovitch, em 4 de Julho na revista Carta Capital, faz uma avaliação acerca da proposta das internações compulsórias e discorre sobre experiências das narcossalas em alguns países! Vale a leitura!

O Brasil continua mergulhado nas trevas e demora em adotar medidas eficazes
para contrastar o fenômeno sociossanitário representado pelo crack, cujo
consumo se espalhou pelas cidades brasileiras. Diante desse quadro, com
prefeitos e governadores despreparados, o governo federal anunciou, em
fevereiro deste ano, um acanhadíssimo projeto de centros regionais de
referência, e isso para capacitar 15 mil profissionais de saúde em 12 meses.

O desatino maior deu-se na capital de São Paulo, onde o prefeito Gilberto
Kassab já promoveu, com o auxílio da polícia, a internação compulsória de
usuários frequentadores da Cracolândia, localizada na degradada zona
central. Depois de obrigados a se desintoxicar em postos de saúde, os
dependentes voltaram rapidamente à Cracolândia para novo consumo. Quanto à
polícia paulista, revelou-se incapaz de interromper a rede dos seus
fornecedores de crack.

No momento, Kassab pensa em uma segunda overdose de desumanidade, e o Rio de
Janeiro, com falso discurso humanitário, repete, em essência, a fórmula
piloto do alcaide paulistano, ou seja, internações compulsórias para
desintoxicação. Kassab vem sendo contido pelo secretário para Assuntos
Jurídicos, que parece ter percebido a afronta à liberdade individual,
constitucionalmente garantida.

Como o prefeito sonha com a reurbanização do centro da cidade, os usuários
de crack viram um estorvo para a concretização de sua meta. E quando
colocada a Polícia Militar em ronda permanente pela Cracolândia, os
consumidores, em farrapos, migram para o vizinho bairro de Higienópolis,
tido como aristocrático. Kassab sofre, então, a pressão de uma classe social
privilegiada, que não suporta nem estação de metrô no bairro, por entender
inconveniente a presença dos não residentes. Mais ainda, muitos
higienopolistas reagem, quando topam com um drogado, como a desejar uma
solução tipo Rio Guandu, época do governo Carlos Lacerda no Rio.

Diante das multiplicações das cracolândias, o governo federal tarda em ousar
e partir para a adoção de narcossalas, também chamadas de salas seguras para
consumo. Até o Nobel de Medicina, Françoise Barre Simousse (isolou o vírus
HIV-Aids), preconizou a adoção de narcossalas na França, em face da
resistência do direitista presidente Nicolas Sarkozy, que prefere a cadeia
para os usuários, como FHC e Serra nos seus governos.

A respeito, o Conselho Municipal parisiense tenta derrubar a proibição de
Sarkozy e está pronto para implantar uma narcossala piloto em Paris. Para os
membros das respeitadas e francesas Associação Nacional para a Prevenção do
Álcool e das Dependências (Anpaa) e Associação para a Redução de Riscos
(AFR), a "história epidemiológica e a experiência clínica demonstram que o
projeto de uma sociedade sem consumo de drogas é ilusório. As posturas
proibicionistas e repressivas são inócuas-. Isso porque a cura raramente se
dá apenas com a abstinência". A abstinência, frisaram, causa exclusão. Ou
seja, afasta dos sistemas de proteção e de acompanhamento uma parcela frágil
e frequentemente marginalizada de consumidores- de drogas.

Barre Simousse recomenda a adoção da política de Frankfurt implementada em
1994, ao enfrentar o problema representado por 6 mil drogados que vagavam
pelas ruas. A experiência espalhou-se por outras oito cidades alemãs e
vários países-, como Suíça e Espanha, aderiram aos ambientes fechados de
consumo. Nos EUA, existem salas seguras para uso de metadona, droga
substitutiva à heroína.

Com as narcossalas de Frankfurt, o número de dependentes caiu pela metade
até 2003. Os hospitais e os postos de saúde, antes delas, atendiam 15 casos
graves por dia, com um custo estimado de 350 euros por intervenção.

O sistema alemão de Frankfurt oferece acolhida aos que vivem marginalizados
e em péssimas condições de saúde e econômicas. Sem dúvida, virou uma forma
de aproximação, incluindo cuidados médicos, informações úteis e ofertas de
formação profissional e de trabalho. Nas oito cidades alemãs e entre os
usuários dos programas de narcossalas, caiu o índice de mortalidade em
virtude da melhora da qualidade de vida. -E pesquisas anuais sepultaram a
tese de que as narcossalas poderiam estimular os jovens a ingressar no mundo
das drogas.

As federações do comércio e da indústria alemãs apoiam os programas de
narcossalas com 1 milhão de euros. E ninguém esquece a lição do professor
Uwe Kemmesies, da Universidade- de Frankfurt: "Podemos reconhecer que a
oferta de salas seguras para o consumo de drogas melhorou a expectativa e a
qualidade de vida de muitos toxicodependentes que não desejam ou não
conseguem abandonar as substâncias".

por Adriana Müller (convidado), 25 Aug 2011 00:43

Sob essa ótica, podemos afirmar que "o novo psiquiatra social, o psicoterapeuta, o assistente social, o psicólogo de indústria, o sociólogo de empresa (para citar só alguns), são os novos administradores da violência (BASAGLIA, 1985, p. 102). A tarefa primordial desse corpo técnico será fundamentalmente adaptar os indivíduos a aceitarem a condição de objetos de violência, mediante uma atuação terapêutico-orientadora sobre o sujeito. Conforme assevera Basaglia (1985), o perfeccionismo técnico-especializado forja uma aceitação por parte do rejeitado, de sua condição de inferioridade com a mesma eficiência com que impunha anteriormente o conceito de diversidade biológica. E é exatamente assim que o manicômio destrói o sujeito. O problema deixa de ser a doença em si mesma e passa a situar-se na relação que se estabelece com ela. A sociedade, representada pela figura do psiquiatra e sua ciência, defendeu-se do doente mental e do problema de sua existência em nosso meio.

em: A internação Compulsória no Contexto da Reforma Pasiquiátrica Brasileira, por Waldeci G C Junior

No âmbito jurídico, observou-se que a doutrina tende a considerar a medida de segurança como uma sanção penal de cunho terapêutico e preventivo. Apesar disso, considerar a internação compulsória enquanto ação terapêutica que objetive ao restabelecimento do portador de transtorno mental acarreta inúmeros inconvenientes. Primeiramente, estaríamos diante de uma terapia sui generis, na medida em que é aplicada por um agente destituído de conhecimentos técnicos para lidar com o problema da loucura. Além disso, seria no ambiente manicomial (HCTP) que tal medida, sob um rótulo de sanção curativa, seria efetivamente aplicada, espaço juridicamente criado para dar conta de fenômenos extrajurídicos, desde que os magistrados "começaram a julgar coisa diferente além dos crimes: a alma dos criminosos" (FOUCAULT, 1987, p. 20).

em: A internação Compulsória no Contexto da Reforma Pasiquiátrica Brasileira, por Waldeci G C Junior

Lei nº 10 216/2001

Art. 4º. A internação, em qualquer de suas modalidades, só será
indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem
insuficientes.
§ 1º. O tratamento visará, como finalidade permanente, a
reinserção social do paciente em seu meio.

Como as internações compulsórias propostas atualmente dialogariam com essa lei?

Lei 10216 por Aline GodoyAline Godoy, 21 Aug 2011 19:17

É, Felipe, quando falamos de direitos dos sujeitos, vamos ter a clareza e inteligencia de saber que antes de chegar à cracolândia, tantos direitos foram violados e não se criou "escola involuntária" ou "moradia compulsória" "pelo direito à vida".
Caminhando na cracolândia, pelo trabalho de rua do CAPS AD* em que trabalho, é fácil pensar que não tem outra forma que não levar todos dali. A cena é impressionante e dá vontade de "resolver logo". Angustia. Choca.
Na experiência cotidiana de atendimento vemos que os sujeitos que decidem cuidar de si e das suas escolhas têm extrema dificuldade de dominar os desejos de usar crack. Com atendimento especializado e investimento da equipe multidisciplinar e intersetorial, conseguem construir histórias belas de superação. Por outro lado, daqueles que vêm com mandato para internação, pouquíssimos ficam internados (pedem alta, evadem) e pela experiência atropelada, estabelecem baixíssima confiança nos equipamentos de tratamento, diminuindo a confiança de que "alguma coisa resolva".
Podemos "limpar" a cracolândia e internar todo mundo. Ok. E quando saírem? Sem casa, sem trabalho, muitos sem família, com o estigma do "drogado" estampado em seus corpos, famílias em situação de extrema vulnerabilidade, entre tantas outras situações de vida desses sujeitos. E aí?
Não seria hora de ir mais fundo nesse debate?

Para saber sobre CAPS AD, clique aqui - o link é do CAPS ad da FAMEMA, e explica bem do que se trata :)
Direito a que? por Aline GodoyAline Godoy, 20 Aug 2011 00:03

Acredito que essa seja uma ação muito pouco efetiva do ponto de vista do tratamento de um sofrimento psiquico, já que envolve violência de estado contra os direitos individuais. Já ouvi justificativas muito desconcertantes a respeito do assunto, como que "o direito a vida é superior ao direito a liberdade". Esse argumento aparentemente solidário abre um precedente avassalador pois sujeita a liberdade a uma classificação arbitrária de quantidade de respeito à saúde.
Digo quantidade de respeito à saúde pois, aparentemente, existe uma linha que separa os fumantes, os consumidores de álcool, ou mesmo os frequentadores de redes de fast-food dos consumidores de crack e outras "drogas".
Quem decide onde fica essa linha e quão tênue ela pode ser?
Isso pode parecer um medo típico da classe média por vislumbrar algo que tem potencial de atingi-la, mas não falo aqui contra essa iniciativa isoladamente, falo contra a nivelação e padronização social da qual decorrem essas ações. Digo "Danem-se as linhas".

por Felipe (convidado), 17 Aug 2011 12:30

Nos últimos meses temos observado a polêmica discussão acerca das internações compulsórias para usuários de drogas, em especial, o crack. Nesse ínterim surgem diversos argumentos favoráveis e contrários a essa ação. Encontramos acirrados defensores que argumentam que usuários de drogas não tem discernimento para fazer suas escolhas; outros que, baseados no ECA, por exemplo, reafirmam a importância dessa ação salientando que o Estado “tem o dever de tratar e proteger menores usuários de drogas”; e ainda aqueles que acreditam que o consumo de drogas é a ponta do iceberg que abrange sofrimento psíquico e desigualdade social e que o cuidado na dependência de drogas vai além das internações.

E você? O que pensa e propõe sobre isso?

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License